quarta-feira, 10 de outubro de 2007
O POVO - [Artigo] Polícia e governo
Ainda repercute na opinião pública, a exoneração do coronel PM Adahil Bessa, do Comando da Polícia Militar. As causas não foram devidamente explicadas à sociedade. Profissional competente - não resta dúvida - pela sua folha de serviços prestados. A leitura do episódio induz-nos a várias reflexões. Nada contra o atual Comandante, mas o modo como foi conduzido o processo. Apesar de estilo de governar ser um produto cambiante no tempo e no espaço, impõe-se respeitar-se a Corporação, conhecer fatos marcantes de sua história - não só recente - estudo aprofundado de sua evolução institucional, como está equipando-se para pensar e enfrentar o futuro, e então tomar decisões, até porque modernamente, é predominante que a titularidade do poder constituinte pertence ao povo, pois o "Estado decorre da soberania popular, cujo conceito é mais abrangente do que o de nação". O esvaziamento de conteúdos culturais, particularmente os éticos, as desigualdades sociais, no sistema de relações sociais, são variáveis fundamentais apontadas por estudiosos quando o assunto é violência e corrupção, questão que está na ordem do dia de governantes e das mais diversas organizações da chamada sociedade civil. Lembre-se que a impossibilidade de acesso da grande maioria das camadas populares a bens e valores largamente publicizados, através da mídia e da cultura de massas em geral, fortalece a criticidade: “Esboroam-se as escalas de valores tradicionais que, de algum modo, legitimavam certas diferenças e, ate certo ponto, a própria desigualdade.” (Gilberto Velho, em Violência, reciprocidade e desigualdade. A propósito, a mesma opinião pública, embora uns contra e outros a favor, em relação ao projeto Ronda do Quarteirão, mesmo destacando a idéia de fortalecimento comunitário, haja vista o policiamento voltado para a relação polícia-comunidade, iniciativa que já vinha sendo trabalhado pela PM, comenta as ironias estampadas nos jornais e revistas, em relação ao desfile de modelos, feito por estilista - sob sigilo - para a farda dos integrantes daquele projeto, pois, diz-se, impôs-se à sociedade, que é o conjunto de indivíduos em união de vontades, o querer de um só. É inverter valores e direitos. Quer-se dizer que a temática de segurança pública como um bem coletivo, diz respeito a todos, não importando classe social, profissão, sexo, idade ou religião. Embora sem ligação do fato com outro, cabe à leitura da exoneração e também do desfile. Como propriamente diz a imprensa, sem o concurso da sociedade não se poderá traçar uma política de segurança confiável.
Eudório Fernandes - Coronel PM RR e advogado