quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O POVO - [Artigo] Campanha de desarmamento infantil

A Guarda Municipal e Defesa Civil de Fortaleza iniciou a III Campanha do Desarmamento Infantil. Campanha que em sua primeira versão em 2005, arrecadou 4.017 armas de brinquedo; no ano passado já foram 6.178, desde atiradeiras e "brinquedos" inofensivos até revólveres de verdade, passando por lâminas de barbear incrustadas em canetas. Na verdade, não se trata de armas de brinquedo, mas sim de instrumentos bélicos em mãos de crianças, não raras vezes utilizados para o fim a que se propõem: ferir. Até o dia 9 de dezembro será possível às crianças realizarem a troca de suas "armas de brinquedo" por revistas educativas da Editora Abril em 150 bancas de revistas e postos instalados em mais 200 escolas municipais, estaduais e particulares, além de seis postos itinerantes, que percorrerão terminais de ônibus, shoppings, sede de instituições e praças e parques de grande atração de pessoas. Trata-se de uma ação significativa para a prevenção e redução da violência e a construção de uma cultura de paz em nossa cidade. Durante o referendo da lei que regulamentou o uso de armas no Brasil, os defensores da liberalização diziam que as armas são meros objetos e que os bandidos são quem matam. Logo, concluíam, que se libere as armas para os "homens de bem". O argumento é um sofisma. A arma foi fabricada para produzir morte. Quem a emprega, deseja ferir ou matar. Mais do que isso, o maior número de agressões e assassinatos no Brasil são causados por "homens de bem", isto é, sem antecedentes policiais, principalmente contra conhecidos seus e contra suas mulheres. A limitação ao uso de armas, tendendo a restringi-las aos profissionais de segurança, se impõe como política de prevenção. No ano passado, somente o Instituto Dr. José Frota atendeu a 7.663 pessoas feridas por armas de fogo, brancas e outros instrumentos de agressão. Das 106 mortes por homicídio ali registradas no ano passado, 72% foram produto de armas de fogo. Hoje em nossa cidade jovens na faixa etária de 15 a 29 anos são os principais autores e vítimas dos homicídios por arma de fogo. Se nada fizermos, a tendência é o crescimento destes números já alarmantes. A III Campanha de Desarmamento Infantil objetiva não apenas retirar de circulação brinquedos bélicos (o que já a justificaria) mas também debater com crianças, adolescentes e adultos a cultura do emprego da violência como meio de "resolução" de dificuldades e conflitos. Até 9 de dezembro, os Guardas Municipais de Fortaleza integrantes da Ronda Preventiva Escolar e professores da rede de ensino promoverão palestras e debates com estudantes, pais e a comunidade. Desejamos debater com os cidadãos o significado e as conseqüências da agressividade em nossa cultura, do ponto de vista das relações sociais, da perda de vidas, dos gastos familiares e governamentais com o produto da violência. Essa ação preventiva, e que certamente marcará a vida de crianças e adolescentes que renunciarem a suas armas de brinquedo por revistas lúdicas, se impõe em razão do compromisso da Prefeitura de Fortaleza em assumir seu papel na colaboração para diminuição da violência em nossa capital, e convida, também, a todos que se unam ao objetivo permanente de promoção e proteção da vida, iniciando-se pela conquista de nossas crianças e adolescentes para a construção de uma cultura de paz. ARIMÁ ROCHA - Advogado e Diretor Geral da Guarda Municipal e Defesa Civil de Fortaleza.